Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

PREMATURO...ATÉ QUANDO?

O que implica ter um filho prematuro de 24 semanas? Respostas e interrogações de mãe e terapeuta...

PREMATURO...ATÉ QUANDO?

O que implica ter um filho prematuro de 24 semanas? Respostas e interrogações de mãe e terapeuta...

Sobre a Prematuridade

MÃO PEDRO (2).jpg

 

Ter um bebé prematuro pode ser semelhante à sensação de sair de um comboio em andamento. Não era aquela a paragem prevista, o impacto de cair no solo é abalador, não houve sequer tempo para agarrar as malas (tanta coisa que faltava ainda preparar) e certamente faltava parte do caminho onde se contemplaria a paisagem, se sonharia com o destino final e se fariam os preparativos para a chegada do bebé. Nada disso é habitualmente feito com um prematuro.


Como se alguém nos empurrasse, saímos dos carris. E o destino de sonho com que sonhámos, o bebé lindo e sorridente que adivinhámos ao ler os blogs, catálogos de roupa, grupos de facebook e afins, chega-nos em forma de um bebé muito pequeno, frágil, envolvido em fios, vedado dos nossos braços por um berço de vidro fechado. O bebé já não mora na barriga, mas não ocupou o seu lugar devido. Ter um bebé prematuro é ter um colo vazio. É amar à distância. Adiar o encontro. É fazer do tempo um escoar lento de segundos em que se espera... Espera-se o que o neonatalogista vai dizer, o que as enfermeiras vão dizer, o que os resultados vão dizer... enquanto o coração se silencia e aguarda. A mãe cuida. A mãe embala. A mãe alimenta. A mãe beija e cheira. A mãe protege. Os mandamentos da maternidade ficam adiados numa neonatologia. Mas mesmo nessas condições, a mãe cumpre o mandamento maior: a mãe ama. E nesse amor, espera.

 

Até ao dia em que lhe é permitido encher o colo, o corpo, o coração e todos os sentidos, no momento em que a enfermeira lhe pousa o bebé nos braços. Um momento de cada vez, um fio a menos, um olhar aberto, um resultado positivo... os dias passam e a esperança reconstrói-se. O pai, tantas vezes o pilar da serenidade e de otimismo, cala para si os mesmos medos da mãe. Pai e mãe oscilam muitas vezes, entre as mãos dadas num abraço a dois à incubadora e um distanciamento de quem vive de formas distintas (homem e mulher) a mesma dor.

 

 

Após um percurso que pode ser de dias, semanas ou meses, a porta do hospital fecha-se e os pais abrem a porta de casa ao seu bebé. Poder-se-ia respirar fundo de alívio e pensar que o livro da prematuridade ficaria por ali, que tudo ficaria guardado num álbum de fotografias, mas esta pode ser uma viagem demorada. Os bebés prematuros enfrentam elevados riscos de complicações a vários níveis, nomeadamente no seu desenvolvimento motor e intelectual. E ao trazer o filho para casa, os pais trazem também um coração apreensivo, muitos medos e inseguranças, muitas dúvidas e incertezas. Como lidar com o bebé, como promover o seu desenvolvimento, como avaliar os sinais de alerta, como gerir os sentimentos.

 

Muitos são os desafios que o regresso a casa implica. E para além das consultas de rotina, os pais destacam frequentemente a necessidade de orientações, de avaliação e de recomendações para cada etapa do desenvolvimento. É portanto essencial que as respostas ao bebé prematuro sejam igualmente dadas aos pais, também prematuros. Para que, mesmo saindo numa paragem antecipada, mesmo mudando a rota do percurso, a viagem seja o mais mais perfeita possível.

 

Este Congresso de Prematuridade nasce de um grupo de profissionais e de pais que procuram diariamente respostas e apoios para este percurso.  http://prematuroatequando8.webnode.pt

 

carlacintraoalmeida@gmail.com

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D